Apelidos

15Out09

O que leva alguém a apelidar o namorado de ‘macaquinho’ logo no início da relação? O mais insólito nem é isso, é o cara GOSTAR de ser chamado assim. Como diz o ditado, cada macaco no seu galho.


Quando vão parar de fechar redações? Que simpatias o Micheletti acha que vai conquistar limitando direitos constitucionais? Pode até conseguir que não se fale contra o governo em Honduras, mas não pode evitar as críticas que surgem mundo afora. Atitude desesperada e atrapalhada.

Já o Zelaya continua fazendo da embaixada brasileira seu palanque particular…

Nessa história, ninguém é inocente.


Lados

14Set09
Já escrevi outras vezes que me decepcionei com política o suficiente para não acreditar em discursos ou em boas intenções. Antes de qualquer outra definição, sou crítica, independente de lados e ideologias – se é que hoje em dia podemos dizer que ideologias existem. Desconfio de matérias e filmes que mostram uma visão única dos fatos, não dou crédito a quem arranja inimigos externos para pôr a culpa pelas mazelas que se enfrenta. Ultimamente, venho sendo confrontada justamente por isso, como se eu devesse escolher um lado e precisasse morrer abraçada a ele. Ora, a política já nos mostra a todo momento que os lados são as circunstâncias que os fazem.
Mas parando para pensar existe sim algo que defendo à risca: a liberdade de opinião e de expressão. Por isso mesmo, e por ser jornalista, não posso concordar com que vem acontecendo na Venezuela e na Argentina. O tempo também já provou que censurar e ameaçar a imprensa não leva a nada e que a mídia não é a responsável pelos problemas das nações. Falando sobre esse ponto, uma amiga me fez esta pergunta:
- Mas tu não acha que tem algo errado? Todos os jornais sendo de oposição?
- E tu? Não acha que tem algo errado sendo todos os jornais de situação?
Está aí a questão: ao tentar pela força criar versões favoráveis ao governo, caiu-se no outro extremo da equação. Não é cerceando a liberdade de jornais, emissoras e escolas que se cria um pensamento crítico, é oferecendo visões conflitantes.
Na semana passada, outra mini discussão com uma colega me fez rir.
- O Chávez não iria te fazer nada, imagina. Não tem censura na Venezuela – disse ela.
Pouco depois, o assunto continuava:
- Acho que a versão do site na Colômbia é totalmente de oposição ao Chávez – avaliou minha colega.
- Pois é. Na Venezuela que eu acho que às vezes saem um pouco da imparcialidade e publicam matérias a favor.
- Não acho, eles são bastante imparciais. Até porque tem a censura, né? Não podem correr o risco de terem a redação fechada.
Ops, acho que alguém morreu pela boca.

Ontem de manhã, recebi um torpedo “engraçadinho” de um amigo corintiano fanático, daqueles com quem discutir futebol é monólogo – leia-se: ele fala e você escuta, porque ele simplesmente ignora o que você diz. A verdade? Ele não está nem um pouco interessado em ouvir. Faz dias que só coloca a foto do Gordonaldo por aí, provoca, escreve textos cheios de recalque porque, em sua cabecinha, o Inter é o responsável pelo rebaixamento do injustiçado Corinthians. Ah, essa mania de perseguição que o Brasil inteiro tem com o time do Parque São Jorge… Nem vou me dar ao trabalho mais de responder, argumentar ou o que quer que seja. Não adianta, lembra? Da boca dele só sai “timão”, “timão”, “timão”, ainda mais agora, depois da final da Copa do Brasil. Não duvido nem que ele durma com a foto do Fofômeno debaixo do travesseiro. Pior é que sei que terei que aguentar isso por mais um bom tempo, e a flauta vai continuar até o próximo jogo entre as equipes.

Ao menos não terei que suportar as risadinhas dos gremistas. Que coincidência o placar, hein? Hehehe, eles tocaram flauta cedo demais e acabaram dando tchau à Libertadores! Mas cá entre nós, ainda prefiro perder para o Cruzeiro. Pelo menos não teria que aguentar corintiano roxo no meu ouvido flauteando sem parar.


Já há muito virei cética em relação a política e a políticos. Desde a faculdade que não acredito mais em boas intenções desacompanhadas de uma legião de interesses pessoais. Por isso, já fui xingada por todos os lados: uns achavam que eu não compreendia as mazelas da sociedade, outros diziam que eu me importava demais. Vá entender, sempre procurei ser justa, seja com quem for. Critico o que considero errado, elogio o que julgo certo. Não saio mais por aí empunhando bandeirinha nem me envolvo nas intermináveis discussões que, no fim, não levam a lugar algum. Não sou filiada a partidos e odeio fanatismo ideológico.

Mas o que eu queria falar, no fundo, é que esse jogo de alianças que vemos dia a dia na política brasileira é nojento. Não consigo ler as notícias do caso Sarney sem um embrulho no estômago. E quando penso que a bancada do PT está amenizando a situação por causa das eleições de 2010 – óbvio, o vaselina PMDB tem peso -, só chego à conclusão de que viramos todos palhaços deste imenso circo. Para a oposição, é fácil pedir o afastamento do senador. Para os outros, sobra constrangimento e vem aquele papo quase ao estilo jogador de futebol: as mesmas frases lacônicas sem um significado maior. Dá até tema de monografia isso, basta sentar na frente da TV, sintonizar a TV Senado e transcrever os discursos. Aliás, já ouvi tanta asneira que me envergonho de pensar em como tais criaturas conseguiram ser eleitas. É tudo tão explícito que inclusive a cara-de-pau virou um elemento banal.

Será que o Sarney vai renunciar ou se licenciar? Acho que, pelo desenrolar da história, ele vai acabar cedendo durante um tempo, para deixar a poeira baixar. Se vai sumir da política? Certo que não. Será punido? Duvido. Afinal, “as irregularidades no Senado vêm de tanto tempo que a atitude correta é chamar para conversar”, de acordo com o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante. Ora, sejamos francos: o governo quer é assegurar a maioria frágil na Casa, apenas isto. Mas é preciso diferenciar defesa com conivência. O Sarney pode não ser o único responsável pela crise do Senado, mas como presidente ajudou a derrubar ainda mais a instituição.


Há alguns dias, uma amiga redigiu algo muito interessante sobre estilos de escrita, e se questionou sobre qual seria o dela. Parei para pensar nisso, e a única conclusão a que consegui chegar é que é chato à beça se ater a rótulos. A graça está justamente na capacidade de inventar e reinventar, de bagunçar o que temos como padrão, de ousar, de tentar fazer o que ainda não foi feito. Sabe o artista que enjoa de cantar sempre a mesma música ou o ator que cansa de interpretar o mocinho? Pois é, a escrita, seja no jornalismo ou na literatura, segue o mesmo princípio. Brincar com as palavras, com a pontuação, com a estrutura, inverter a ordem de parágrafos, esse é o barato. Não quero ser rotulada, conhecida só como a autora de tiradinhas engraçadas. Vai ter aquele dia em que o humor mordaz vai estar bem longe e a intenção seja colocar a ironia de lado. E não deixarei de ser eu mesma.

Ainda assim, dizem que quem nos conhece de verdade identifica um texto nosso a ponto de ouvir nossa voz entoando cada frase. Podemos ir da prosa ao verso, da depressão à euforia, que a “marca registrada” vai estar lá, mesmo nas entrelinhas. Minha amiga pode até querer definir um rótulo para ela, numa tentativa desesperada de encontrar o seu lugar numa imensidão de estilos e possibilidades. Ela não precisa cair nessa armadilha. O texto dela é daqueles nos quais batemos o olho e descobrimos de cara quem escreveu. Se ela não sabia disso, agora já sabe.


Na contramão

28Mai09

Assumo: desde que tirei a carteira de motorista às vezes entro na contramão da minha rua para chegar em casa. É só meia quadra, uns 100 metros, ou nem isso. Apesar de sempre ter alguém que me buzina ou enfia luz alta, nunca tinha  acontecido de tentarem me acuar contra o meio-fio só por prazer. Esses dias, um taxista veio na minha direção com a intenção de bater no meu carro. Ora, eu tenho o bom senso de não atrapalhar o trânsito, e não foi diferente dessa vez. Girei a direção para deixar o táxi passar, mas ele foi vindo, vindo, vindo… Se o meu reflexo não fosse rápido, ele teria arrancado o meu espelho, porque passou de raspão por mim! Não bastasse, ainda me encarou com um jeito presunçoso, como quem diz: “Viu? Quem manda burlar as regras?” Ah, se eu tivesse tempo de abaixar o vidro, teria dito uns quantos desaforos! Aí parei para pensar: se ele batesse, de quem seria a culpa? Dele, por ter usado a extensão da rua, ainda que tivesse jogado o carro em cima de mim de propósito? Ou minha, por ter entrado na contramão? Ou dos dois? Para mim, uma infração não justifica outra… Mas acho que dos males ainda prefiro os motoqueiros.


 

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30gA orla do Guaíba fica assim, depois de um temporal! Tirei essa foto lá do Salão Náutico, em 2 de dezembro. A chuvarada levou todo esse lixo para a beira da praia, e a organização do evento tirou só nesse dia 2 toneladas de detritos. No meio desse monte de garrafinhas plásticas e potes de margarina, também havia animais mortos e, o que é pior, lixo hospitalar! Se pensarmos que esse é o local previsto para a marina pública de Porto Alegre, então a prefeitura terá um monte de trabalho por lá. Mas antes de mais nada acho que o descaso vem também da própria população, que não cuida o que joga fora, como joga fora, nem aonde joga fora! Isso não é apenas educação ambiental, é questão de saúde. Nesse mesmo rio tinha crianças tomando banho poucas horas depois! De quem é a culpa se alguma delas ficar doente? Penso que de todos… E todos mesmo! Nesse evento, considerado classe A, vi homens feitos jogando tocos de cigarro no rio, vi mulheres bem crescidas deixando latinhas de refrigerante no píer, para serem levadas pelo vento, vi tanta coisa absurda… O resultado é esse cenário aí de cima.


Nunca tinha andado de lancha. Fiquei a semana toda namorando aquela marina instalada no Salão Náutico, vendo pessoas entrarem e saírem dos barcos enquanto eu cobria o evento. Mas não é que os bons ventos ouviram as minhas preces silenciosas? No último dia, o dono da Sunset Boats, estaleiro que gentilmente cedeu um cantinho da sala para a imprensa, me convidou para dar o tão sonhado passeio. Olhei ao redor: nenhuma palestra para cobrir, todas as entrevistas feitas, então ok, vamos lá! Além de mim, também estavam na lancha o dono de um outro estaleiro, lá de Santa Catarina, e os três filhos do seu Dilnei, da Sunset. Ah, aquele vento na cara quando se ganha velocidade é simplesmente a melhor coisa que existe, e a sensação de planar sobre as águas e ver a cidade do ponto de vista das ilhas não tem como descrever, é preciso sentir na pele.

No meio do caminho para o Gasômetro, o seu Dilnei me perguntou se eu queria guiar. Hehehehe, não resisti a essa tentação. Claro que ele colocou a velocidade bem baixa, mas eu conseguia ver num dos painéis que estávamos navegando em um ponto do Guaíba com 10 metros de profundidade. Ui, socorro! Só que perder essa oportunidade seria burrice demais. Respirei fundo, segurei firme e que fosse o que Deus quisesse! Fui pilotando até chegar perto da praia, onde paramos e demos meia volta, para pegar o pôr-do-sol mais próximos às ilhas. Indescritível. Tudo, tudo mesmo! A emoção de pilotar aquele veículo, a brisa, o barulho do motor, as gotas que respingavam no braço, as aves que cruzavam um sol já vermelho, o contorno da cidade e a própria chegada no píer. Saltei da lancha renovada e pensativa. Por que é que Porto Alegre maltrata tanto o Guaíba? Se pudéssemos todo dia aproveitar o lago tenho certeza de que a cara da cidade seria outra.

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OBS: Quando essa foto foi tirada, a lancha não estava parada não!