Ponte do Gua�ba

O complexo de quatro pontes que compõem a Travessia Régis Vittencourt é um dos maiores do Brasil. Ligando Porto Alegre a Eldorado do Sul, tem cerca de 13 km de extensão e passa por quatro ilhas. O primeiro trecho, carinhosamente chamado de Ponte do Guaíba, tornou-se um verdadeiro símbolo da Capital.

A cena faz parte da rotina de Porto Alegre: de cinco a seis vezes por dia, o trânsito de veículos na Ponte de guaíba é interrompido para o içamento do vão móvel, dando passagem às embarcações. Após 20 minutos, o fluxo é retomado normalmente. A ponte, inaugurada em 28 de dezembro de 1958, foi a primeira do Brasil a ser construída em concreto protendido, que, em vez de usar ferros, como o concreto armado, utiliza aços especiais que permitem vãos maiores.
Antes da construção da ponte, a travessia era feita em barcas pertencentes ao Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer), que partiam da Vila Assunção, na Zona Sul da Capital, levando, até a margem oposta, cerca de 600 veículos e mais de mil pessoas por dia. A viagem demorava pelo menos 20 minutos e ainda outros 40 para as operações de embarque e desembarque.
Em 1953, quando o sistema de barcas já dava sinais de saturação, começou a ser discutida uma nova alternativa. Entre as possibilidades, estavam uma ponte a partir da Vila Assunção, uma ponte ou túnel sainda da Ponta da Cadeia (na Usina do Gasômetro) e uma ponte que aproveitasse as ilhas do Guaíba, a qual acabou sendo escolhida. O projeto foi elaborado na Alemanha e remetido ao Laboratório d’Hidraulique, em Grenoble, na França. Lá, foi montado um modelo do Delta do jacuí no chão de um pavilhão medindo 30m x 40m, reproduzindo, inclusive, a inundação de 1941, e os efeitos de uma cheia à ponte. Por mérito dos projetistas alemães, foi calculado que, em 35 anos, o movimento exigiria sua duplicação. Foi então construída já com o dobro da capacidade de tráfego, demandando 8 anos de trabalho. O governo federal liberou os recursos para que o Daer administrasse a obra, cujos trabalhos ficaram a cargo da construtora porto-alegrense Azevedo, Bastian e Castilhos (ABC).
Passadas mais de quatro décadas, a Ponte do Guaíba tece de ser adaptada a uma nova realidade, com o fluxo médio de 30 mil veículos por dia e com importância estratégica para o Mercosul. Para isso, passou por uma profunda reforma, com a substituição de cabos, roldanas e motores que promovem o içamento do vão, reforma da fachada e pintura.

Curiosidades em números:

  • A Travessia Régis Bittencourt atravessa quatro ilhas: Grande dos Marinheiros, do Pavão, das Flores e Pintada. Elas abrigam uma população de 15 mil pessoas.
  • A ponte sobre o Lago Guaíba tem 777m de comprimento. Suas torres de levantamento possuem dimensões de 4m X 4m com superfícies arredondadas na parte externa. São peças ocas com 25cm de espessura de parede e altura de 48m até a base. A posição mais elevada do tramo metálico fica à altura de 40m, e a mais baixa, de 13,5m, permitindo a passagem de barcos relativamente grandes. A distância transversal livre entre as torres é de 18,6m, e a longitudinal, de 51,8m.
  • O vão móvel tem 58m de comprimento e pesa 430 toneladas. A elevação é feita por dois motores e equilibrada pelos contrapesos que ficam nas quatro torres.
  • A ponte sobre o Canal Furado Grande, com 344m de comprimento, dá passagem a embarcações de pequeno porte.
  • A ponte sobre o Saco Alemoa, com comprimento de 774m, atravessa uma baía não-navegável do Delta.
  • A ponte sobre o Rio Jacuí tem comprimento de 1.756m e um gabarito de navegação de 50m de abertura livre por 20m de profundidade.

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Por: Andréia Odriozola. Matéria publicada na revista ImóvelClass, 22 de julho de 2006

  • HORÁRIO DE IÇAMENTO DO VÃO MÓVEL: Infelizmente, os horários de içamento varia diariamente, mas o site da Concepa atualiza constantemente essa informação. É só clicar lá!